Observei que os sentimentos e emoções vivenciados e partilhados no ato de tecer, num movimento com vários fios de diferentes tonalidades, espessuras e texturas, se tornaram sem limites e sem fronteiras, temperando a troca de idéias, a reflexão, as escolhas, e as ações elaboradas na tessitura, que formou um tecido/retalho “inesquecível”, unindo vários tecelões: os rondonistas e o povo cerradeiro de Iaciara. Assim, cardar, fiar, urdir, tramar e preparar os novelos e o tecido, apesar de algumas rupturas comuns nesta prática, foi uma experiência tecida e vivida intensamente com a “dor e a delícia” que lhe são peculiares; até os fios enrolados e emaranhados foram enfrentados com calma e responsabilidade, já que todos os envolvidos se assumiram como verdadeiros tecelões – produtos e produtores do seu contexto e da sua história – atravessados na relação da fiação entre quem ensina, pratica, e aprende simultaneamente.
Presenciei o nascimento e fortalecimento de uma amizade verdadeira e indescritível, que gerou lágrimas na despedida e dor ao fazer o enfrentamento da separação. Mais que isso: vi nascer uma família, ainda que limitada pelo curto espaço de tempo e pelas circunstâncias.
Também reparei que pôr em prática valores pessoais é uma ação que não tem preço. Então, abrindo espaço para um momento filosófico, lembrei das sábias palavras de Goethe, as quais foram inteligentemente praticadas por todos (e nos acompanharam ao longo de nossa estadia, expostas na parede de nossa “sala de jantar”, lembra?):
"Não basta saber, é preciso também aplicar; Não basta querer; É preciso também agir".
Refletindo, voltei algum tempo no passado para uma realidade muitíssimo diferente: minhas horas de busca sobre PRONTIDÃO ESCOLAR – assunto escasso nas pesquisas e na literatura nacional – mas abundante no cenário da biblioteca do IRDS (Institut de Recherche pour le Développement Social des Jeunes) da UQUÀM – Université du Québec à Montréal – onde tenho me ancorado para desenvolver minhas pesquisas e oficinas. Que discrepância existe entre as facilidades encontradas em um país de primeiro mundo e as necessidades básicas de nosso Brasil continental!!!
Porém, senti um conforto imenso ao ouvir que lá na escola da Extrema (Levantado) alguém prometeu colocar em prática as trocas realizadas nestas oficinas (espero, sinceramente, que professores de outras localidades também façam o mesmo).
Assim, espero ter contribuído para ajudar a cardar, urdir e tecer o desenvolvimento humano deste espaço social tão querido. Dentro deste prisma, posso resumir meus sentimentos desta maneira: IACIARA, CLARETIANA, ÁGUA QUENTE e LEVANTADO, VALEEEEUUUU!!! Tenho certeza que buscamos oferecer o que tínhamos de melhor e vocês marcaram para sempre nossa vida!!! "
Idonézia Collodel - psicóloga e professora de Linguística Aplicada

















